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Ruzzle ou Word Trip: com relógio a correr ou sem relógio nenhum
O material é o mesmo: um punhado de letras e palavras para formar. O que muda é tudo o resto. Num há dois minutos e alguém do outro lado à espera; no outro não há tempo, não há adversário e não há pressa nenhuma.
Nuno Peixoto · Coimbra · revisto a 09/09/2026
O problema de escolher
As duas aplicações aparecem lado a lado nas mesmas listas e a ficha da loja descreve-as quase da mesma maneira. Quem instala uma à espera da outra fica desiludido — não porque a aplicação seja má, mas porque o ritmo é o oposto.
É a mesma diferença que há entre jogar às cartas contra alguém e fazer paciências sozinho. As cartas são as mesmas e a actividade não é.
Lado a lado
| Critério | Ruzzle | Word Trip |
|---|---|---|
| Relógio | 2 minutos por ronda | Não existe |
| Adversário | Uma pessoa | Ninguém |
| Interface | Tabuleiro de 16 letras | Roda de 4 a 7 letras |
| Sem rede | Não abre | Níveis descarregados |
| Sessão | 6 minutos exactos | 2 a 7 minutos por nível |
| O que se treina | Velocidade de reconhecimento | Persistência |
A última linha é a que mais importa e a que nenhuma ficha de loja menciona. Orientações, não uma oferta.
O que se diz sobre os dois
«O Ruzzle é para quem tem melhor vocabulário.»
Não é. Em dois minutos não há tempo para pensar em palavras; há tempo para as ver no tabuleiro. Ganha quem varre o tabuleiro mais depressa, e isso treina-se com prática e não com leitura.
«O Word Trip é mais fácil.»
É mais permissivo, que não é o mesmo. Um nível de sete letras pode levar dez minutos e obrigar a testar dezenas de sequências. O que não tem é pressão, e por isso parece mais fácil.
«Os dois usam a mesma lista de palavras.»
Não temos como confirmar isso, mas o comportamento é diferente: o Ruzzle aceitou-nos formas que o Word Trip recusou, e ao contrário. Nenhum dos dois separa português europeu de português do Brasil.
«Um jogo por turnos é sempre mais lento.»
Na prática, o Ruzzle rende mais jogo em menos tempo: seis minutos de jogo efectivo por partida, contra sessões de duração imprevisível no outro. O que é lento é a partida, não o jogo.
Uma semana com cada um
Ao fim de uma semana de Ruzzle tínhamos jogado onze partidas, o que dá sessenta e seis minutos de jogo efectivo. Ao fim de uma semana de Word Trip tínhamos passado quase quatro horas, distribuídas por sessões que começavam com «só mais um nível».
Não é uma crítica ao segundo nem um elogio ao primeiro. É a diferença entre um jogo que acaba sozinho e um jogo que só acaba quando alguém decide parar, e é a informação mais útil que temos para dar a quem hesita entre os dois. Quem tem tendência para perder a noção do tempo deve escolher o que tem relógio, por paradoxal que pareça.
Houve também uma diferença que não esperávamos: as partidas de Ruzzle deram conversa. Cada uma tem um resultado, um adversário e um tabuleiro que os dois viram, e isso gera comentários. O Word Trip não gera nada — joga-se e esquece-se, como uma paciência.
Em resumo
Se tem alguém com quem jogar e rede sempre disponível, Ruzzle. Se joga sozinho, em sítios sem cobertura ou sem qualquer vontade de ser cronometrado, Word Trip.
E se o objectivo for treinar português europeu, nenhum dos dois resolve o problema — como explicamos na página da secção inteira.
Joga os dois?
Diga qual mantém instalado ao fim de um mês. É a única medida honesta destas comparações e é a que não conseguimos fazer sozinhos.
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